Os doze signos do Zodíaco

A divisão do Zodíaco em diferentes signos remonta a uma antiguidade imemorial e é mundialmente reconhecida como é encontrada nos sistemas astrológicos de várias nações.
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Relógio astronômico. Pixabay

Vários estudiosos da antiguidade atribuem a diferentes nações a invenção do Zodíaco1 e dos seus signos. Alguns dizem que, no princípio, havia apenas dez signos, que um deles foi então dividido em dois signos separados, e que um novo signo foi adicionado a essa quantidade para aprofundar o significado esotérico dessa divisão e, ao mesmo tempo, ocultá-lo com mais perfeição ao vulgo não iniciado. É muito provável que o real conceito filosófico dessa divisão deva a sua origem a alguma nação em particular, e que os nomes dados aos diversos signos possam ter sido traduzidos para as línguas de outras nações. No entanto, o principal objetivo deste artigo não é decidir que nação teve a honra de inventar os signos em questão, mas indicar, até certo ponto, o significado filosófico real que eles contêm e como descobrir o resto do significado que permanece não revelado. No entanto, pelo que se expressa aqui, pode-se inferir de forma justa que, como acontece com outros mitos e alegorias, a invenção do Zodíaco e dos seus signos têm origem na Índia antiga.

Então, qual é a origem real desses signos e do conceito filosófico que o Zodíaco e os seus signos pretendem representar? Os vários signos representam apenas a forma ou a configuração das diferentes constelações incluídas nas suas divisões, ou são simplesmente máscaras projetadas para obscurecer algum significado oculto? A primeira suposição é completamente insustentável por duas razões, a saber:

I. Os Hindus estavam familiarizados com a precisão dos equinócios, como pode ser facilmente observado nos seus trabalhos sobre astronomia e nos seus calendários astronómicos. Consequentemente, eles estavam plenamente cientes do facto de que as constelações das várias divisões do Zodíaco não eram fixas. Portanto, eles não teriam atribuído formas específicas a esses grupos móveis de estrelas fixas, em relação às divisões do Zodíaco. No entanto, os nomes que indicam os signos do zodíaco permanecem inalterados. Deve-se, portanto, inferir que os nomes dados aos vários signos não têm ligação com as configurações da constelação incluídas neles.

II. Os nomes e significados esotéricos ou exatos para esses signos, atribuídos pelos antigos escritores sânscritos, são os seguintes:

NOMES DE SIGNOSSIGNIFICADOS EXOTÉRICOS EXATOS
1 MeshaCarneiro ou Áries
2 RishabhaTouro ou Tauro.
3 MithunamGémeos ou Geminis (masculino e feminino).
4 KarkatakaCaranguejo ou Câncer.
5 SimhaLeão ou Leo.
6 KanyaVirgem ou Virgo2
7 TulâBalança ou Libra.
8 VrischikaEscorpião ou Escorpio.
9 DhanusArqueiro ou Sagitario.
10 MakaraCabra ou Capricórnio (Crocodilo, em sânscrito).
11 KumbhaAguadeiro ou Aquarius
12 MeenamPeixe ou Piscis.

As figuras das constelações incluídas nos signos, na época em que se efetuou a divisão pela primeira vez, não se pareciam em nada com as figuras de animais, répteis ou outros objetos que os nomes dados a essas constelações indicavam. A verdade desta afirmação pode ser confirmada através da análise das configurações das várias constelações. A menos que o observador conceba na sua imaginação a figura do crocodilo3 ou do caranguejo, há poucas possibilidades de que as próprias estrelas sugiram a ideia dessa figura na abóboda celeste do firmamento cravejado de estrelas.

Portanto, se as constelações nada têm a ver com a origem dos nomes com os quais se indicam as divisões do Zodíaco, temos que buscar alguma outra fonte que possa ter dado nascimento a estas denominações. O meu objetivo consiste em desenterrar uma parte do mistério relacionado com estes signos zodiacais, assim como, descobrir uma parte do conceito sublime da antiga filosofia hindu que lhe deu origem. Os signos do Zodíaco têm mais de um significado e, de um certo ponto de vista, representam as diferentes etapas da evolução até alcançar a existência material do universo atual com os seus cinco elementos. Como expressou a autora de «Ísis sem Véu», no segundo volume da sua admirável obra, «a chave deve dar a volta sete vezes» para compreender toda a filosofia oculta nestes signos. No entanto, só lhe darei uma volta e me descreverá o conteúdo do primeiro capítulo da História da Criação. É uma sorte que os nomes em sânscrito que os filósofos Âryos atribuíram às diversas divisões contenham a chave para a solução do problema. Os leitores que estudaram em certa medida os antigos «Mantra Shâstra» e o «Tantra Shâstra»4 da Índia, terão comprovado que, frequentemente, as palavras em sânscrito tendem a transmitir algum significado oculto através de certos famosos métodos pré-estabelecidos de acordo comum, enquanto o seu significado literal é algo muito diferente do seu significado oculto. 

A seguir estão algumas regras que podem ser úteis a algum investigador para que descubra o profundo significado da antiga nomenclatura em Sânscrito usada nos antigos mitos e alegorias dos Âryos:

1. Investigar quais são os sinónimos da palavra usada, que têm outros significados.

2. Investigar qual é o valor numérico das letras que compõem a palavra, de acordo com os métodos dados nas antigas obras tântricas.

3. Aprofundar nos antigos mitos e alegorias, se os houver, que tenham alguma ligação especial com a palavra em questão.

4. Intercambiar as diferentes sílabas que compõem a palavra e analisar as novas combinações que assim se formam e os seus significados, etc., etc.

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Brahma esculpido em Halebid, estado de Karnataka, Índia. Wikipedia

Agora, aplicarei algumas das regras precedentes aos nomes dos doze signos do Zodíaco:

I. Mesha. – Um dos sinónimos desta palavra é Aja. Contudo, Aja significa literalmente o que não tem nascimento e, em determinadas partes dos Upanishads, aplica-se ao eterno Brahmâ. De modo que o primeiro signo propõe-se a representar Parabrahma, a própria existência eterna, a causa autossuficiente de tudo.

II. Rishabham. – Esta palavra é usada em vários sítios dos Upanishads e dos Vedas para significar Pranava (AUM). Sankaracharya interpretou desta forma em várias partes do seu comentário5.

III. Mithuna. – Como a palavra indica claramente, este signo propõe-se a representar o primeiro andrógino: o Ardhanârîshvara, o Adam Kadmon ou o Senhor bissexual da Sephira cabalista.

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Imagem da forma Ardhanârîshvara de Shakti e Shiva. Creative Commons

IV. Karkataka. – Convertendo as sílabas nos seus números correspondentes, de acordo com o método geral de conversão o qual é tão frequentemente referido no Mantra Shâstra, a palavra em questão é assim representada Archivo:A Major key signature.png. Portanto, este signo evidentemente se propõe a representar o seguinte: o Tetragrama sagrado; o Parabrahmâdhâraka; o Pranava (AUM) dividido em quatro entes separados, que correspondem aos seus quatro Mâtras (manifestação, breve tempo que dura um som); os quatro Avasthâs (estado de consciência em qualquer plano), que correspondem aos estados de Jâgrat (vigília), Svapna Avasthâ (sonho), Sushupti Avasthâ (sono profundo sem sonhos), e Turiya Avasthâ (Nirvâna no Samâdhi, ou seja, o último estado, o do Nirvâna, embora potencialmente); os quatro estados de Brahmâ chamado Vaishvânara (o aspeto mais objetivo da Vida Única, Eu), Taijasa (ou Hiranyagarbha [pensamento, os astros]), Prajñâ (mente, consciência, capacidade de perceção) e Ishwara (o «Senhor», o espírito divino no homem), que são representados por Brahmâ (Deus ou Principio Criador do universo, personificação temporal do poder criador), Vishnu (manifestação da energia solar, conhecimento, bondade), Maheshvara (Grande Deus ou Senhor) e Sadâshiva (eterna destruição para se regenerar num plano superior); os quatro aspetos de Parabrahma que são Sthûla (matéria densa), Sûkchma (o subtil, o pequeno), Bîja (som com que se inicia um mantra, semente) e Sakshi (o observador); as quatro etapas ou condições da palavra sagrada denominada Para (Altíssimo, o eterno, o som), Pashyantî (a segunda das quatro divisões do som), Mâdhyama (o eterno do som) e Vaikharî (a língua emitida); Nâda (a Voz do Silêncio), Bindu (som nasal), Shakti (força, poder, ênfase) e Kala (som surdo, zumbido). Este signo completa o primeiro quaternário.

V. Simha. – Esta palavra contém um mundo inteiro de significados ocultos, e talvez não seja sensato da minha parte revelar neste artigo tudo o que ela significa. Basta, para o propósito que agora nos ocupa, indicar o seu significado de uma maneira geral.

Dois dos seus sinónimos são Panchasyam e Hari, e o seu número de ordem nas divisões do Zodíaco (sendo o quinto signo) aponta claramente para o primeiro sinónimo – Panchasyam – que mostra que o signo propõe-se a representar os cinco Brahmâs, a saber. Ishanam, Aghoram, Tatpurusham, Vamadevam e Sadyojatam: – os cinco Buddhas. O segundo sinónimo mostra que se trata de Nârâyana, o Jîvâtmâ ou Pratyagâtmâ. (O Sukharahasya Upanishad mostrará que os antigos filósofos Âryos consideravam Nârâyana como o Jîvâtmâ6. * Os vaishnavitas talvez não admitam isso. Mas como advaitín, considerou que Jîvâtmâ é idêntico a Paramâtmâ na sua essência real, quando é despojado dos seus atributos ilusórios criados por Ajñâna ou Avidyâ (ignorância). O Jîvâtmâ está localizado corretamente no quinto signo, contando a partir de Mesham, pois o quinto signo é Putrasthanam, ou a Casa do Filho, de acordo com as regras da astrologia Hindu. O signo em questão representa Jîvâtmâ, por assim dizer, o filho de Paramâtmâ. (Também se pode acrescentar que ele representa o Cristo real, o espírito puro ungido, embora esta interpretação talvez não seja do agrado de muitos cristãos)7. Só acrescentarei aqui que, a menos que se compreenda a natureza plena deste signo, será impossível compreender a ordem real dos três signos seguintes e o seu significado completo. Os elementos ou entidades que neste signo possuem apenas uma existência teórica são, nos três signos seguintes, entidades diferenciadas e separadas. A sua união numa única entidade produz a destruição do universo fenoménico e o reconhecimento do espírito puro, e a sua separação tem o efeito oposto: provoca a existência material, amarrada à terra, e revela essa galeria de fotos ou imagens que são produto de Avidyâ (ignorância) ou Mâyâ (ilusão). Se se compreende corretamente a ortografia real do nome pelo se indica o signo em questão, observar-se-á facilmente que os três signos a seguir não são o que deveriam ser. Kanya (Virgem) e Vrishchika (Escorpião), deveriam formar um único signo, e Tulâ (Balança) deve seguir o designado signo, se for necessário ter um signo com esse nome à parte. Mas a separação entre Kanya e Vrishchikam foi efetuada colocando o signo de Tulâ entre os dois. O objeto desta separação será compreendido ao analisar o significado dos três signos.

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Calendário hindu de tecido correspondente aos anos ocidentais de 1871-1872, Estado do Rajastão, na Índia.

A coluna da esquerda mostra os dez avatares de Vishnu, a coluna do centro à direita mostra os doze signos do zodíaco hindu.

O painel superior central mostra Ganesha com dois consortes. O segundo painel mostra Krishna com duas consortes. Domínio Público

VI. Kanya. – Significa virgem e representa Shakti (Energia Universal) e Mahâ Mâyâ (Grande Ilusão). O sexto râshi ou signo em questão indica que na Natureza há seis forças principais, as quais têm diferentes conjuntos de nomes na filosofia Sânscrita. Segundo um sistema de nomenclatura, as suas denominações são as seguintes: 1) Parashakti (Poder Supremo); Jñânashakti (poder do conhecimento); 3) Itchashakti (força de vontade); 4) Kriyâshakti (poder do pensamento); 5) Kundalinishakti (poder de vida, ou «serpentino»); e 6) Mantrikâshakti (poder ou potência oculta dos sons, palavras, música ou números místicos dos mantras)8. As seis forças estão representadas, na sua unidade, pela Luz Astral 9 .

VII. Tulâ. – Esta palavra converte-se em 36 quando é representada com números, segundo o método mencionado anteriormente. Consequentemente, este signo tem o evidente propósito de representar os 36 Tattvas (essências, princípios, realidades ou elementos fundamentais das coisas). (O número de Tattvas difere de acordo com os critérios dos diferentes filósofos; no entanto, segundo os Shaktyas em geral, e também segundo vários Rishis da antiguidade, como Agastya, Durvasa, Parashurama e outros, afirmam que 36 é o número declarado de Tattvas. Jîvâtmâ difere de Paramâtmâ, ou para dizer por outras palavras, baddha (ligado, o condicionado) difere de mukta (livre)10 ao estar encerrado, por exemplo, dentro destes 36 Tattvas, enquanto o outro está livre. Este signo prepara o caminho para o Adão terrestre: o Nara ( «Homem» original). Ao ser emblema deste último, a sua localização é adequada como sétimo signo.

VIII. Vrishchika. – Os antigos filósofos dizem que o Sol, quando está situado neste râshi ou signo, recebe o nome de Vishnu (veja o duodécimo skandha [atributo] de Bhagavata). O signo propõem-se a representar Vishnu que, literalmente significa o que está expandido – expandido como Vishvam ou o Universo. Vishvam é, propriamente dito, Vishnu (veja o comentário de Shankaracharya sobre Vishnusahasranamam). Já aprofundei que Vishnu representa o Svapna Avasthâ ou estado de sonho. O signo em questão significa pertinentemente o universo no pensamento ou o universo na conceção divina.

É adequadamente estabelecido como o signo oposto a Rishabham ou Pranava. Uma análise de Pranava sobre em direção ao inferior leva-nos ao pensamento no seu caráter universal, e uma síntese em direção ao superior leva-nos deste último até Pranava (AUM). Agora chegamos ao estado ideal do universo antes que adquira existência material. A expansão do bija, ou gérmen original, até se converter no universo é possível somente quando os 36 Tattvas11 se interpõem entre Mâyâ (ilusão) e Jîvâtmâ (o Espírito individual encarnado num ser humano vivo). Estes Tattvas são os que induzem o estado de sonho. Hamsa (dualmente, o Espírito individual e o Espírito universal) passa a existir por estes Tattvas, e a eliminação destes assinala o começo da síntese de Pranava e Brahmân, e converte a Hamsa em Soham (a identidade do Eu indivídual com o Eu Único Universal). Segundo o seu propósito de representar as diferentes etapas da criação – desde Brahmâm até abaixo até ao universo material, os três signos de Kanya, Tulâ e Vrishchikam (Virgem, Balança e Escorpião) localizam-se como três signos separados, na ordem em que estão atualmente.

IX. Dhanus. (Sagitário). – Quando é representado numericamente, este nome equivale a 9, e a divisão em questão é a novena contando desde Mesha (Carneiro). Portanto, este signo indica claramente os nove Brahmâs – os nove Prajâpatis que secundaram o Demiurgo na construção do universo material.

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Brahma e Prajâpati, Government Museum Chennai, India. Creative Commons

X. Makara. – Existe uma certa dificuldade para interpretar esta palavra; não obstante, contem a chave para a sua interpretação correta. A letra ma equivale ao número 5 e kara significa «mão». Contudo, em sânscrito, tribhijam significa «triângulo», entendendo-se que bhijam ou karam (ambas as palavras são sinónimas) significam «lado». Portanto, Makaram ou Panchakaram significam «pentágono»12.

Contudo, Makaram é o décimo signo, e o termo dashadisha é aquele que os autores sânscritos usam para indicar os rostos ou lados do universo. O signo em questão propõe-se a representar os rostos do universo e indica que a figura do universo está limitada por pentágonos. Se aos pentágonos os considerarmos «regulares» (assumindo que o universo é de construção simétrica), a figura do universo material será, portanto, um Dodecaedro, o modelo geométrico que o Demiurgo imitou ao construir o universo material. Se então o signo de Tulâ foi inventado e, se em vez dos três signos, Kanya, Tulâ e Vrishchikam (Virgem, Balança e Escorpião), anteriormente apenas existira um signo que combinara em si mesmo Kanya e Vrishchikam, o signo que agora consideramos foi o oitavo segundo o antigo sistema, e é um feito significativo que os autores sânscritos em geral, também falem de ashtadisha, ou das oito caras que limitam o espaço. É muito possível que o número de disha pudesse ter sido alterado de oito para 10, enquanto o Virgem-Escorpião, existente anteriormente, foi dividido em três signos separados.

Além disso, pode considerar-se que kara representa os triângulos da estrela de cinco pontas projetadas. A esta figura também se pode chamar uma espécie de pentágono regular (ver «Trigonometria Esférica», de Isaac Todhunter, p. 143 da edição original em inglês). Se se aceita a interpretação, o rashi ou o signo em questão representa o «Microcosmos». Mas, o «microcosmo» ou o mundo do pensamento está representado por Vrishchika. Do ponto de vista objetivo, o «microcosmo» está representado pelo corpo humano. Pode considerar-se que Makaram representa simultaneamente o microcosmo e o macrocosmo, como objetos externos à perceção.

Em relação a este signo, apresentarei aqui alguns factos importantes que submeto à consideração daqueles que têm interesse em examinar as antigas ciências ocultas da Índia. Os filósofos antigos sustentam em geral que o macrocosmo é semelhante ao microcosmo, ao ter um sthûla sharira (corpo denso ou físico) e um sûkkshma sharira (corpo ilusório ou de sonho). O universo visível é o sthûla sharira do Vishva (Todo). Os antigos filósofos afirmavam que, como o substrato deste universo visível, existe outro universo – talvez possamos chama-lo de Universo da Luz Astral – o universo real dos Noúmenos: por assim dizer, a alma deste universo visível. Em determinadas passagens dos Vedas e dos Upanishads sugere-se obscuramente que este universo oculto da Luz Astral há-de ser representado por um Icosaedro. A ligação entre um Icosaedro e um Dodecaedro é algo muito peculiar e interessante, embora as figuras pareçam tão distintas entre si. Esta ligação pode compreender-se através da construção geométrica citada no último parágrafo. Desenhe-se uma Esfera ao redor de um Icosaedro, na qual as perpendiculares se estendem desde o centro da Esfera sobre os seus lados e avancem até se encontrarem com a superfície da Esfera. Contudo, se os pontos de interseção se juntam, dentro da Esfera forma-se um dodecaedro. Usando um procedimento semelhante, pode construir-se um Icosaedro a partir de um Dodecaedro. (Ver «Trigonometria Esférica», de Isaac Todhunter, pp. 141, art. 193.) A figura construída segundo a descrição anterior representará o universo da matéria e o universo da Luz Astral, como existem realmente. No entanto, agora não irei mostrar como o universo da Luz Astral pode ser considerado da perspectiva de um Icosaedro. Apenas direi aqui que este conceito dos filósofos Âryos não há-de ser considerado como mera «chachada teológica» ou resultado de uma fantasia louca. Creio que o significado real deste conceito pode explicar-se remetendo-nos para a psicologia e a física dos antigos. No entanto, devo deter-me aqui e seguir considerando o significado dos restantes signos.

XI. Kumbham (ou Aquário). – A palavra equivale a 14, quando se representa com números. Então poderá perceber-se claramente que a divisão em questão tem como propósito representar os caturdasha bhuvanam ou quatorze lokash (lugares, regiões ou planos) de que se falam nos livros sânscritos.

XII. Minam (ou Peixes). – Esta palavra é representada por um 5, quando se escreve em números, o qual procura transmitir a ideia de panchamahâbhutâm ou os cinco elementos. O símbolo sugere também que a água (não a água comum, mas o solvente universal dos antigos alquimistas) é o mais importante dos cinco elementos.

Concluo a tarefa que me propus para este artigo. O meu propósito não é explicar a teoria da criação, mas antes mostrar a ligação entre essa teoria e as divisões zodiacais. Aqui trouxe à luz apenas uma pequeníssima parte da filosofia que estes signos envolvem. O véu que os filósofos antigos lançaram sobre determinadas partes do mistério ligado a estes signos nunca será levantado como um passatempo ou para instruir os não iniciados.

Contudo, para resumir todos os itens expostos neste artigo, eis o conteúdo do primeiro capítulo da história deste Universo:

1) Brahmam Auto existente y eterno.
2) Pranava (AUM).
3) Brahmâ andrógino, ou o Sephirá bissexual: Adam Kadmon.
4) O Tetragrama sagrado, os quatro matras de Pranava, os quatro avasthâs, os quatro estados de Brahmâ, os Tarakam Sagrados.
5) Os cinco Brahmâs – os cinco Buddhas – que na sua totalidade representam o Jîvâtmâ.
6) A Luz Astral, a Virgem Santa, as seis forças da natureza.
7) Os 36 tattvas nascidos da Avidyâ (ignorância).
8) O Universo no pensamento – o Swapna Avâstha – o microcosmos observado desde um ponto de vista subjetivo.
9) Os nove Prajâpatis, os assistentes do Demiurgo 13
10) A figura do Universo material na mente do Demiurgo: o Dodecaedro.
11) Os 14 lokash (lugares, regiões ou planos).
12) Os cinco elementos. 

A história da criação do mundo até à atualidade compõe-se de sete capítulos. O sétimo capítulo não está terminado, ainda.

Notas:

1 – Em alguns dos termos sânscritos que nas várias edições de “Five Years of Theosophy” não foram complementados por uma breve explicação, nem adicionados ao glossário, tivemos a gentileza de incluir algumas citações do “Glossário Teosófico”, em letras menores. – E. T.

2 – Virgem-Escorpião, quando ninguém, exceto os Iniciados, sabia que havia 12 signos. Mais tarde, Virgem-Escorpião foi divulgado (aos leigos) como Sagitário.

3 – Essa constelação nunca foi chamada de Crocodilo pelos antigos astrónomos ocidentais, que a descreveram como um carneiro com chifres e a chamaram de Capricórnio. Ed. Teos

4 –  Obras sobre encantamentos e magia.

5 – Exemplo: «Rishabhasya—Chandasam Rishabhasya Pradhanasya Pranavasya

6 – No seu estado mais baixo ou mais material, como o princípio vital que anima os corpos materiais do mundo animal e vegetal, etc. – Ed. Teos.

7 – No entanto, é uma interpretação verdadeira. O Jîvâtmâ no Microcosmo (o homem) é a mesma essência espiritual que anima o Macrocosmo (o universo); a diferenciação ou a diferença específica entre os dois Jîvâtmâ ocorre apenas nos dois estados ou condições da mesma Força única. Portanto, “este filho de Paramâtmâ” é uma correlação eterna entre Pai e Causa. Purusha manifesta-se como o Brahmán do “ovo de ouro” e converte-se em Viradja, o universo. “Todos nascemos de Aditi, da água” (Hinos dos Maruts, X, 632) e “O ser nasceu do não ser” (Rig Veda, Mandala 1, Sukta 166). – Ed. Teos.

8 – Parashakti: – Literalmente, a força ou grande poder ou supremo. Significa e inclui as forças da luz e do calor.
Jñanashakti: – Literalmente, o poder do intelecto ou o poder da sabedoria ou do real conhecimento. Tem dois aspetos:
I. A seguir são apresentadas algumas de suas manifestações, quando sob a influência ou o controle das condições materiais:
a) O poder da mente ao interpretar as nossas sensações, b) O seu poder ao recordar ideias passadas (memória) e suscitar expectativas sobre o futuro, c) A manifestação do seu poder no que os psicólogos modernos chamam de «as leis da associação»; este poder permite-lhe criar conexões permanentes entre diversos grupos de sensações e possibilidades de sensações, e gerar assim a noção ou ideia de um objeto externo, d) O seu poder ao interconectar as ideias mediante o misterioso vínculo da memória, gerando assim a noção de eu ou da individualidade.

9 – Até mesmo o nome de Kanya (Virgem) mostra como todos os sistemas esotéricos da antiguidade coincidiam em todas as suas doutrinas fundamentais. Os filósofos cabalísticos e herméticos chamam à Luz Astral «a Virgem celestial». A Luz Astral é, na sua unidade, a sétima força. Daí os sete princípios dispersos em toda a unidade, ou o seis mais Um: os dois triângulos e uma coroa. – Ed. Teos.

10 – Como o Infinito difere do Finito, e o Incondicionado do Condicionado – Ed. Teos.

11 – 36 é três vezes 12, ou 9 Tetraktis, ou 12 Tríades, o número mais sagrado entre as figuras cabalística e pitagórica. – Ed, Teos.

12 – Ver o artigo da edição de agosto de 1881, intitulado “A Estrela de Cinco Pontas”, na qual expressamos que a estrela de cinco pontas ou pentagrama representava os “cinco” membros do homem. – Ed. Teos.

13 – Os nove Sephirot cabalísticos que emanam de Sephirá; o décimo Sephirot e os superiores são idênticos. Três trindades ou tríades, com o seu princípio que emana, formam a Década mística pitagórica, a soma de tudo, que representa todo o Cosmos. – Ed. Teos

Triplicane, Madras, 14 de setembro de 1881
Publicado no livro Cinco Anos de Teosofia, México 2009.

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